Opinião
  Atualizado em 6/3/2007 10:32:05    
Alagoas está de novo à beira da falência
César Felício -
jornalista

Dez anos depois da falência do Estado, uma sucessão de aumentos salariais concedida na administração passada paralisou o governo de Alagoas. Sem condições de honrar novas contrapartidas para convênios, o governador Teotônio Vilela Filho (PSDB) está desde o início de sua administração cercado por manifestantes que dormem em frente ao Palácio Zumbi dos Palmares, sede do governo.

Uma greve na educação fez com que, até o fim da semana passada, o ano letivo ainda não tivesse começado no Estado, que ficou em 20º lugar no ranking nacional do Enem. A crise financeira também contamina a área da segurança pública. Maceió teve em 2005 o maior índice de crimes violentos entre as capitais brasileiras, segundo dados do Ministério da Justiça. Como saída do atoleiro, o governador tucano aproxima-se cada vez mais do governo federal petista.

O alto volume de transferências federais isola a maior parte da população - beneficiada por aposentadorias do INSS ou programas como o Bolsa Família - dos efeitos da crise do governo estadual. Calcula-se que dois terços da população do Estado vivam do setor público. O setor privado não é capaz de revitalizar a economia. O peso do setor público sobre o PIB local subiu de 17% para 27,6% entre 1985 e 2004.

Os problemas gerenciais extrapolam o Executivo. Na Assembléia Legislativa, ninguém sabe quantos funcionários estão na folha de pagamento, que representou 5,28% da despesa estadual no ano passado. O limite de 3% com gastos de pessoal para o Legislativo, estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal, não é respeitado

Fonte: Jornal Valor Econômico

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